Resenha: A Travessia

por Graça Siqueira

Sinopse:

“O filme trata da história real do equilibrista francês Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt), que ficou famoso por atravessar as Torres Gêmeas usando apenas um cabo. Mesmo sem ter autorização legal para a arriscada aventura, ele reuniu um grupo de assistentes internacionais e contou com a ajuda de um mentor para bolar o plano, que sofreu diversos obstáculos. A travessia ocorreu na ilegalidade em sete de agosto de 1974 e ganhou destaque no mundo inteiro.”

Imagem Ilustrativa

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Já visto anteriormente no cinema em forma de documentário, com o título de O Equilibrista (2009) e ganhador do Oscar, este é um filme inspirado no mesmo livro que se baseou o documentário, To Reach the Clouds, do próprio Philippe Petit. É difícil definir seu gênero. Não é um drama, nem um suspense, mas para aventura também fica devendo.

No início Petit aparece narrando o que veremos a seguir sobre sua vida e como passou a se interessar pela corda bamba. Mas essa é uma parte um pouco enfadonha.

Sendo o filme em 3D o diretor aproveita para fazer contorcionismos de todos os tipos. Desde as idas repentinas aos céus e, de repente, no mergulho ao chão. É como se estivéssemos em um circo admirando as peripécias dos equilibristas.

Por sinal, é no circo, com seu mestre Papa Rudy (Ben Kingsley), que Petit tem suas melhores aulas. Nem pense que seja fácil andar tão alto apenas com o equilíbrio de seu corpo e com uma barra de equilíbrio.

Quando Petit, aos 17 anos, se deparou com o projeto do World Trade Center numa revista, seu primeiro impulso foi desenhar uma linha entre as torres Norte e Sul. A partir daí dedicou seu tempo a treinar para ir à Nova Iorque e, sem ainda saber como, andar na corda bamba entre os prédios de 110 andares.

Na primeira tentativa ele cai dentro de um lago, depois caminha entre as torres de Notre-Dame e acaba sendo preso. Até que decide mudar-se para Nova Iorque com a namorada (Charlotte Le Bom) e um amigo fotógrafo.

É quando chegamos à segunda parte do filme que tudo melhora. Petit passa por dificuldades, pois nada é tão fácil quanto imaginava. Afinal, as torres são policiadas todo o tempo. E um dia antes do feito o equilibrista machuca o pé.

Há todo um planejamento para que possa colocar seu plano em prática, pois a operação é totalmente ilegal. Quem iria permitir que um jovem, carregando uma barra de equilíbrio com oito metros e pesando 25 quilos, andasse totalmente sem segurança, num cabo de aço de 204 quilos preso entre duas torres com distância de 42 metros entre elas e tudo isso a uma altura de 417 metros?

As imagens parecem reais, Levitt treinou com o próprio Petit, e as melhores cenas são quando o equilibrista, após completar a travessia vê que a polícia lhe aguarda numa torre. O que era para ser apenas uma travessia de alguns minutos levou mais de meia hora.

Dizem que a partir desse dia, os americanos passaram a amar as Torres Gêmeas e perceberam o quanto elas eram muito mais do que concreto e vidro. O filme também é uma homenagem melancólica do que foi perdido.

A atuação de Levitt está bem, caprichando no sotaque francês e com postura digna de quem precisa estar ereto para não cair a qualquer momento. Infelizmente lhe colocaram uma peruca que não se consegue desviar os olhos.

Para os que sofrem de vertigens é bom que saibam que, os recursos do 3D e do Imax, nesta segunda parte, são extremamente realistas, com a câmera passeando pelas nuvens e nos dando arrepios.

Philippe Petit tem 67 anos, vive em Woodstock, Nova Iorque, e foi fundamental para a produção do filme.

A Travessia está em cartaz no Cineflix do Shopping Pelotas.

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Assista ao trailer: