O resgate da cultura da batata

Por Raphaela Suzin

 

O hábito do consumo da batata veio com a colonização alemã. Aos poucos, estava na maioria das casas brasileiras e nas propriedades de pequenos produtores. Hoje, a produção na agricultura familiar já não é mais tão presente e encontra algumas dificuldades.

O munícipio de São Lourenço do Sul já foi um dos maiores produtores de batata do sul do Brasil, com 16mil hectares de plantação. O auge do cultivo foi em 1991, conta o produtor Leomar Borck, que hoje se dedica à plantação de fumo. Pois há um bom tempo a cultura da batata entrou em decadência. “Na região, é difícil se conseguir sementes. Além disso, não temos como competir com o mercado industrial do país”, afirma ele.

Foto: Reprodução

O clima e o solo de São Lourenço são próprios para a plantação de batatas. Mas, hoje, a produção ocupa apenas 300 hectares. “Estamos trabalhando para revitalizar a cultura da batata na cidade. Buscando a qualidade da produção”, afirma Jairo Dora, extensionista da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural). Junto com alguns produtores da região, Jairo busca incentivar a cultura da batata. Ele ainda conta que o principal problema encontrado pelos produtores é conseguir semente de qualidade.

Um dos trabalhos mais recentes para o resgate da produção de batatas foi uma pequena plantação, com mais de oito tipos da cultura. O espaço serve como vitrine, para que produtores conheçam como funciona o processo de produção e vejam os resultados da batata.

Para divulgar esse trabalho, foi realizado um Dia de Campo. Mais de cem pessoas se reuniram na propriedade de seu Selomar Klug – local onde foi feito a plantação de batatas. Ali, especialistas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa em Agropecuária) apresentaram as propriedades de alguns tipos de batata. Umas são melhores para salada, outras para a indústria, na forma de chips, outras ainda pra fritura. E, dependendo do interesse do produtor, ele pode escolher qual batata ele vai plantar.

O Dia de Campo serviu para a troca de experiência entre produtores e especialistas. E, também, uma forma de incentivar a produção. Seu Renato Haüsh já tinha deixado de plantar batatas, mas hoje pensa em retomar a produção. E ele acredita que São Lourenço do Sul pode voltar a ser a grande produtora da Região Sul.